Na semana passada, visitei um casal amigo. No meio da conversa, junto à televisão, Alina de seis anos incompletos, disse: - eu penso na morte! Fiquei perplexo. Com seis anos a falar da morte... Como é possível? - Alina, o que é que te faz pensar na morte? Ah,.... eu penso no Céu! O que é que te faz pensar no Céu, como é que imaginas o Céu? Olhos verdes a luzir, explicou: - Imagino o Céu assim: um lugar cheio de silêncio e todos lá felizes e contentes! As palavras de Alina não me saem da memória. Alina a falar da morte, a falar do Céu. Um céu sem barulho nenhum. Um Céu de muito silêncio. E lá todos contentes, respirando paz e felicidade. Com seis anos, mal desabrochando para a vida, Alina já percebeu que o barulho fere, que o barulho enerva, aflige, que o barulho esvazia e desgasta.
“A primavera veio, ninguém sabe como foi”. A . Machado Ir. Maria dos Anjos, p. m
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